Ah, eu gosto mesmo é da rotina. A rotina é que me interessa. Me surpreende.
De um aspecto vulgar a rotina dá o toque de conforto e bem-estar ao sujeito.
Pois eu sou o sujeito que faz festa da mesmice.
A rotina lhe parece estável, mas não é.
Nada é, tudo muda.
Muda mesmo.
Quanto mais as coisas parecem mudar, mais elas ficam iguais.
E quanto mais as coisas parecem iguais, mais elas mudam.
É como o sistema de rotação, translação da Terra.
Quando estou na rua, vivendo um dia atípico, logo fico na aflição.
Na vontade de voltar para o meu cantinho.
Onde tudo é tão igual, quieto e seguro.
Tudo bem que a vida é uma só e deve ser vivida intensamente. Dizem.
Mas se a vida é só essa mesmo, então porque não vivê-la de maneira tranquila.
A analisar os pequenos detalhes, discutir por horas um assunto.
Talvez eu não seja o par perfeito para alguém.
Talvez eu quero certezas demais da vida.
E é isso o que me atrai na rotina, a certeza, in certeza.
A rotina é a minha regra.
Fazer algo inesperado, impensado, talvez seja bom. É.
Mas no final, toda regra tem sua exceção.
- S.M.
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